terça-feira, 28 de junho de 2011

Mais um jardim no caminho


Luar na Lubre é um grupo de música celta da Galícia. Neste vídeo cantam "Chove en Santiago".  

Três blusas, duas calças, uma lanterna. Band-Aid, três meias, protetor solar, um chapéu. Agulha para furar bolha, cantil. Câmera fotográfica. Está faltando alguma coisa? Acho que não.

Mochila pronta. Sete quilos. Peso razoável. Só falta o cajado de peregrina. Amanhã embarco para a última aventura da minha viagem. Talvez, a mais esperada de todas desde que cheguei à Espanha: fazer o Caminho de Santiago.

Há muitos anos cultivo esse sonho, influenciado também pela minha tia Raquel, irmã do meu pai e uma das pessoas que mais amo nessa vida. Ela já percorreu três diferentes trechos do caminho. No primeiro, saiu da França e andou 800 quilômetros durante um mês.

No último, feito no ano passado, ela chamou o meu avô Adão e eles foram juntos, pai e filha. Agora é a vez da neta manter a tradição e deixar as pegadas de mais um Jardim nos campos verdes da Galícia celta.

Da capital espanhola irei até Sarria, um povoado no Norte da Espanha. É de lá que começo a caminhada de 113 quilômetros até Compostela. Não planejei a data de chegada. Mas estimo que farei em quatro ou cinco dias.

A data escolhida para fazer o caminho foi proposital. A poucos dias de voltar para o Brasil e de celebrar meu embarazo, pensei que não existiria melhor forma para encerrar este ciclo e “dar a luz”.

Alguém me acompanha?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Guerra, arte e memória

Em uma tarde de domingo, Manuel Yanez recordava sobre sua viuvez, um dos motivos pelo qual havia decidido transformar sua casa em pousada, erguida em um dos pontos mais nobres da cidade: em frente ao Palácio Real. Contava-me sua história de forma linear, exceto nas pausas em que dedicava seu olhar à sua esposa, emoldurada em um dos quadros da sala de estar que virou recepção.

Durante a nossa conversa, o espanhol que poderia ser meu avô, mas com espírito jovem e com pinta de galã, resgatou outra mulher de sua vida. Contou-me da época em que, ainda criança, acompanhava sua mãe até Cuatro Caminos – hoje, uma estação de metrô que fica perto da minha casa. Lá, buscavam comida em um dos quartéis instalados na cidade.

A Espanha estava em guerra, e Manuel me revelava suas lembranças de garoto como se toda sua vida tivesse como pano de fundo um conflito que deixou cicatrizes profundas, ainda em processo de cura no país.

A Guerra Civil Espanhola está representada no Guernica, a obra mais famosa do pintor espanhol Pablo Picasso e a principal atração do Museu Reina Sofia. Aquela que estudamos desde o colégio, que certamente mencionaremos para os nossos filhos, e que é alvo de muitos flashs. Sim, é permitido fotografar, respeitando alguns metros de distância.

O quadro representa um conflito entre nacionalistas e republicanos que começou em 1936, terminou em 1939, mas que continua gerando polêmica e influenciando vidas. Tanto é que, em 2005, partidários da extrema-direita picharam no muro do secretário do Partido Comunista da Espanha, Santiago Carillo, as seguintes frases: "Así empezó la guerra, y ganamos". "Carrilo, asesino, sabemos dónde vives". Devido ao seu impacto, a Guerra Civil Espanhola gerou cerca de 20 mil livros, volume literário equiparado ao da Segunda Guerra Mundial, e inspirou outras obras, como o Guernica.

O fascínio pela obra de Picasso – ou por qualquer grande obra – não se explica só pela estética. Por detrás das pinceladas cubistas de um dos principais pintores da Espanha tem todo um contexto que converte formas em memória, história e sensações. Em uma experiência que não se limita aos minutos em que se está frente a frente ao Guernica. Proporciona aquilo que talvez melhor defina a arte: a capacidade de ter extensão em nossas vidas, de transformar a nossa visão de mundo. 
E o quadro de Picasso muda. Tem força. É potente como o bombardeio na cidade de Guernica, que destruiu a população basca que residia ali. O massacre, resistido por Manuel e por muitos outros espanhóis, é imortalizado na obra do espanhol. Com traços que rompem com a estética do perfeito, Picasso desconfigura uma realidade já destroçada. Retrata uma Espanha em pedaços, fragmentada pelas divergências políticas e pela destruição do país. 
Digestão com café, muffin e jazz

Passada a Guerra, momento de reconstruir peça por peça. Todas as lembranças ficariam na  memória da sociedade espanhola ou comporiam grandes salas de museu. O Reina Sofia, um dos principais museus de Madri, dispõe de salas exclusivas para o Guernica. Exibem todos os esboços de Picasso que o levaram à confecção do quadro.

Além da obra-prima do pintor, o Reina Sofia abriga coleções de outros importantes artistas espanhóis, como Salvador Dalí e Miró. E de internacionais, representados por Georges Braque, Francis Bacon e muitos, muitos outros.

O museu cobre o final do século XIX até a atualidade. Está localizado em um ponto privilegiado da cidade, em frente à Atocha – principal estação de Madri –, e perto do Paseo del Prado, uma das avenidas mais bonitas da cidade, um museu a céu aberto.   

Depois da visita, não deixe de ir ao café-restaurante do Reina Sofia. Com decoração moderna, combinando com a arquitetura arrojada de uma das fachadas do museu, o espaço é uma ótima opção  para digerir o banquete artístico com um bom café, muffin e jazz.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Entre línguas e canções



Alô Brasil e Espanha. Antes de voltar a minha terra estou gravando vários programas especiais de músicas brasileiras que foram interpretadas em espanhol e vice-versa, que serão emitidos durante um mês na Rádio Exterior, da Rádio Nacional da Espanha. 

No programa "Entre línguas e canções" falo de músicos brasileiros que moram em Madri, como Leo Minax, Flavia Enne Braga, Fernando de La Rua, Fernanda Cabral e Pedro Moreno. Também abordo Clube da Esquina e sua segunda geração, com Rodrigo Borges e Gabriel Guedes – do bar Godofredo, em Santa Tereza, a “Liverpool dos mineiros”. Sem deixar de fora os mestres Chico, Caetano, Toquinho, Lenine... 

Dos espanhóis-latinos-caribenhos entram, além de outros, Ana Belén, Victor Manuel, Jorge Drexler, Pablo Milanés, Pedro Guerra, Isolda Carillo e Mercedes Sosa. E também o espanhol e músico Tomás Lopes-Perea Cruz que se apaixonou pelas composições brasileiras e criou o Festival Tensamba, promovido todos os anos na Espanha. Se tiver alguma sugestão de compositor que grava nos dois idiomas, compartilhe.

Assim que souber a data certa de emissão dos programas divulgo para você. Provavelmente será em julho ou agosto, ainda não fechei a data certa com a emissora. A frequência da Rádio no Brasil é 17.595 e existem outras para os demais países e continentes. A emissão é por onda curta então talvez seja mais fácil ouvir pelo site www.rtve.es. Basta clicar em Rádio, depois em Rádio Exterior e, finalmente, em emissão em português. Além de português, a Rádio Exterior é emitida em vários outros idiomas.

Enquanto isso, ouçam a versão de Aquarela, em espanhol. "De uma América a outra eu consigo passar num segundo". Hasta luego!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Nos olhos de cada um

Oito horas da manhã. Acabo de chegar ao jornal e me lembro que tenho que fazer um roteiro turístico para duas amigas que vou receber este domingo.

Aqui, compartilho um "plano" para conhecer a capital espanhola, tal como foi enviado para as também mineiras Cláudia e Ana. Um roteiro com muitas reticências, de uma cidade que, como qualquer outra, pode ser descoberta e redescoberta nos olhos de cada um. Como é Madri para você? 

Queridas Cláudia e Ana,
Fiz um roteiro rápido para vocês. Claro que faltam algumas coisas. Mas vamos completando quando vocês chegarem, ok? Não precisa segui-lo à risca. É bom se perder.

Bjos e boa viagem,

Carol       
O que não pode deixar de apreciar/observar/sentir
1)   Artistas de rua
2)   A magia da cidade
3)   A atmosfera latina
4)   A grosseria x simpatia dos espanhóis
5)   O ar imperial
6)   A eficiência do transporte público (melhor metrô da Europa)
7)   Uma cidade/país que está em crise, mas não se percebe, principalmente para quem vem de “países em desenvolvimento” , como a gente. O pobre daqui tem jaqueta, sapato e calça jeans. E a cidade continua fervendo, tudo cheio e com movimento.  
8)   Olhe para cima, para baixo, 360 graus (ver os prédios, as pessoas)
9)   Esqueça o mapa. Aproveite para conversar na rua. Pergunte.
10)   Sente no chão da praça. Deite nos jardins da cidade. Olhe para o céu. Aqui em Madri, está quase sempre azul.
11)   Repare o tanto de vovós nas ruas, um mais lindo que o outro.
12)   A mudança de estação, o comportamento das pessoas e o novo desenho da cidade
13)   O sol que se esconde só depois das 21h30
 Centro histórico
14)      Puerta del Sol
15)      Plaza Santa Anna
16)      Plaza Mayor
17)      Mercado San Miguel
18)      Ópera
19)      Plaza do Oriente
20)      Palácio Real
21)      Jardines de Sabatini
22)      Museu do Jamón
Principais museus
23)   Reina Sofia
24)   Prado
Outros passeios
25)   Parque Retiro (dentro tem o Palácio de Velázquez e o Palácio de Cristal. Também tem um lago, podemos passear de barco e fazer piquenique).
26)   Caminhar pela Gran Via
27)   Caminhar pela Calle de Alcalá
28)   Ir até a Plaza Cibeles, onde está o Banco da España.
29)   Ir ao Santiago Bernabeu (estádio do Real Madrid)
30)   Templo de Debod
Cafeterias
31)   Jardín Secreto (lindo, lindo, lindo)
32)   Café Oriente (amo)
33)   Café Libertad 8 (tem show ótimos)
34)   Café Central (jazz)
35)   San Ginés (famosa pelos churros com chocolate quente, o povo vai até after party)
Bairros famosos
36)   La Latina e Chueca (concentram vários bares)
37)   Lavapiés (bairro de imigrante, tem bar árabe, brasileiro, africano. É uma miscelânea)
38)   Malasaña (região que também concentra muitos bares)
Calle Serrano
39)   É a rua sofisticada de Madri, onde estão as principais marcas (Dior, Gucci, Chanel) – não tem nenhuma graça, mas muita gente visita.
Cidades perto de Madri que pode ir de trem e voltar no mesmo dia, todas maravilhosas
40)   Salamanca
41)   Segóvia
42)   Ávila
43)   Toledo
44)   El Escorial
Show flamenco
45)   Cardamomo (nunca fui, me indicaram)
46)   Outro dia fui em um bar com dança, perto da Plaza Santa Anna, mas esqueci o nome. Quando passearmos pelo centro passamos em frente para vocês conhecerem, vale?
Musicales
47)   Los miserables
Restaurantes y pastelerias
48)   Casa Julio em la Calle Madera
49)   Rincon de Jaen
50)   Pasteleria Mallorca
O que não pode deixar de comer
51)   Jamon Iberico
52)   Croquetas
53)   Tortilla
54)   Paella
55)  Tortilla....