Aqui no Hemisfério Norte, presenciamos um dos fenômenos mais lindos da natureza: o amarelar das folhas das árvores, que indica a passagem das estações. Estamos no outono e faltam 13 dias para a chegada do inverno. É hora de sair para a rua e ver as folhas que ainda restam nas árvores e as que já formam um manto seco sobre o chão.
Esse cenário me leva à casa de campo dos meus avós, em Conselheiro Lafaiete. De lá, também observávamos a mudança das estações. Lembro-me quando meu avô Celso, há muitos e muitos anos, me chamou até a janela da sala de jantar e comentou que naquela hora estávamos passando pelo solstício de verão, o dia mais longo do ano. Era 21 de dezembro e ele me contava aquilo tudo com muita sabedoria, com um humor discreto e inteligente de um engenheiro que não entende só de números, mas de muitas outras coisas importantes da vida.
Se ele estivesse em Madri, saberia dizer a posição do sol, o grau de incidência dos raios, a latitude da capital e não perderia tempo: faria uma caminhada no Parque do Retiro, um dos melhores lugares para se observar os efeitos do outono. Voltaria cheio de novidades para tornar o chá da tarde das tias mais interessante, para fazer um charme para a minha avó que admira sua inquestionável memória sobre os principais acontecimentos do mundo e para transmitir as notícias do dia a seus filhos e netos.
Ele arrumaria um jeito de bater um papo com o dono da barraca que vende as melhores guloseimas do Parque e perguntaria sobre a história do local. Absorveria todas as informações com o máximo de detalhes, datas, nomes, causas, consequências e curiosidades. E assim começaria o intercâmbio de conhecimento: você sabe, Carolina, que os jardins foram criados entre 1630 e 1640, quando o Conde-duque de Olivares, vassalo do rei Filipe IV, ofereceu ao monarca alguns terrenos para o lazer da corte? Continuaria...
O Parque possui uma área de 118 hectares e foi concebido pelo cenógrafo italiano Cosme Lotti. Somente tempos depois que foi permitido aos cidadãos ter acesso ao complexo, com uma condição: desde que estivessem bem vestidos e lavados. Informações sobre guerra é com ele mesmo. Então, meu avô complementaria: durante a invasão francesa, em 1808, o espaço foi utilizado como quartel das tropas de Napoleão e ficou parcialmente destruído. Depois da Guerra Peninsular, iniciou-se sua reconstrução.
Esse cenário me leva à casa de campo dos meus avós, em Conselheiro Lafaiete. De lá, também observávamos a mudança das estações. Lembro-me quando meu avô Celso, há muitos e muitos anos, me chamou até a janela da sala de jantar e comentou que naquela hora estávamos passando pelo solstício de verão, o dia mais longo do ano. Era 21 de dezembro e ele me contava aquilo tudo com muita sabedoria, com um humor discreto e inteligente de um engenheiro que não entende só de números, mas de muitas outras coisas importantes da vida.
Se ele estivesse em Madri, saberia dizer a posição do sol, o grau de incidência dos raios, a latitude da capital e não perderia tempo: faria uma caminhada no Parque do Retiro, um dos melhores lugares para se observar os efeitos do outono. Voltaria cheio de novidades para tornar o chá da tarde das tias mais interessante, para fazer um charme para a minha avó que admira sua inquestionável memória sobre os principais acontecimentos do mundo e para transmitir as notícias do dia a seus filhos e netos.
Ele arrumaria um jeito de bater um papo com o dono da barraca que vende as melhores guloseimas do Parque e perguntaria sobre a história do local. Absorveria todas as informações com o máximo de detalhes, datas, nomes, causas, consequências e curiosidades. E assim começaria o intercâmbio de conhecimento: você sabe, Carolina, que os jardins foram criados entre 1630 e 1640, quando o Conde-duque de Olivares, vassalo do rei Filipe IV, ofereceu ao monarca alguns terrenos para o lazer da corte? Continuaria...
O Parque possui uma área de 118 hectares e foi concebido pelo cenógrafo italiano Cosme Lotti. Somente tempos depois que foi permitido aos cidadãos ter acesso ao complexo, com uma condição: desde que estivessem bem vestidos e lavados. Informações sobre guerra é com ele mesmo. Então, meu avô complementaria: durante a invasão francesa, em 1808, o espaço foi utilizado como quartel das tropas de Napoleão e ficou parcialmente destruído. Depois da Guerra Peninsular, iniciou-se sua reconstrução.
O Parque possui as fontes das Galápagos, da Alcachofra e do Anjo Caído, além dos palácios de Cristal e Velázquez. O Passeio das Estátuas é uma alameda formada por uma série de esculturas dedicadas a todos os monarcas espanhóis. As obras foram confeccionadas para decorar o Palácio Real. Contudo, nunca chegaram a ornamentar a residência oficial do rei, “devido a um pesadelo da rainha que sonhou que as estátuas caíam sobre ela”, contaria meu avô, em tom de brincadeira.
Depois de saber até dos bastidores da construção e da vida no Parque, ele iria tirar algumas fotos, me mandaria por e-mail e as descreveria de forma poética, com observações parecidas com as que ele me disse outro dia no telefone, me contando que em frente a sua casa o céu estava azul, o dia quente e com mangas nas árvores, contrapondo ao céu cinza de Madri e à falta de frutas pela cidade.
Ele passearia pelo Parque do Retiro de mãos dadas com a minha avó, como se estivessem em um quadro impressionista sem moldura. Se perderiam nas pinceladas de Renoir ou de Monet, que produziam suas obras ao ar livre para captar melhor a variação das cores da natureza e também cenas do cotidiano, como a cumplicidade de um casal de senhores vista em uma tarde de outono.
